Ela entra pela porta
com uma segurança que não lhe pertence. Sara não é segura, Sara tem medo de tudo.
De tudo? De tudo. Sara fugia do amor como quem foge de uma doença incurável,
mas qual é mesma a diferença? Até que um
dia Sara percebeu que o amor lhe tornava capaz de voar! Desde então, seus pés
nunca mais tocaram o chão! Quando os olhos de Sara avistaram Alberto pela
primeira vez seus joelhos não enfraqueceram, seu coração não disparou e sua
vagina não ficou molhada... O amor de Sara por Alberto foi uma construção
diária, um exercício de apaixonar-se. Mas Alberto preferiu deixar a porta do
seu coração fechada. E Sara batia nessa porta como uma louca: “Me deixa entrar,
Alberto, me deixa entrar!”. Sara acostumou-se com aquela porta na sua cara. Até que um dia a porta destrancou e Sara invadiu o coração de Alberto.
Ao adentrar o coração Sara constatou que ali havia
muita coisa guardada. Haviam coisas sem importância, coisas para serem armazenadas
em caixas, coisas para esconder no fundo falso da gaveta, coisas para serem
esquecidas, para serem queimadas ou para serem lançadas ao vento, coisas para
devolver, coisas para mudar de lugar. E no meio a tantas coisas Sara se sentia
sufocada. “Me deixa sair Alberto, me deixa sair”, Sara gritava. O coração de Alberto era acumulador, sofria da
doença de não esquecer de tudo nunca. De tudo? De tudo. E Sara se tornou doença incurável no coração de Alberto, se acostumou com sua condição de doença e hoje vive sentada do banco ao lado entre as coisas a serem esquecidas e as para se esconder no fundo falso da gaveta.
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